domingo, 16 de dezembro de 2007

A antiga Luxemburgo na Happy Hour

Luxemburgo é um país que não se enquadra muito bem na idéia de país, ou pelo menos não se enquadra na idéia de Estado- Nação. É um daqueles lugares na Europa que parece mais um principado ou um território de impostos free. Como o principado de Mônaco, que iniciou sua carreira sendo um território livre para onde os piratas podiam correr depois de roubar os navios. Luxemburgo é uma monarquia, um paraíso fiscal e, por isso mesmo, a capital econômica da União Européia, com muitas instituições da organização sediadas lá. Quando cheguei a Luxemburgo, tinha apenas a idéia de que era um país pequeno e perto o suficiente da França para que eu, a vovó e a Carol (pseudônimo para um amiga brasileira que eu conheci num albergue em Ilha Grande e com quem eu combinei de me encontrar em Paris) passássemos um final de semana em meio a nossos respectivos cursos de Francês. Além disso, nem a Carol nem a vovó, que já tinham viajado para a Europa, tinham ido para lá. Chegamos às 23h, eu fiquei com a vovó na estação e a Carol foi ver se encontrava um hotel bom e não muito caro. Tínhamos uma idéia de preço pela apostila que eu tinha montado com dados da internet, e ficamos satisfeitas quando a Carol voltou com a notícia de um hotel bacana que cobrava 90 euros pela diária do quarto duplo. Até porque, pelas andanças dela, os hotéis estavam meio cheios. Não tinha mais quarto triplo, mas eles nos arranjariam mais uma cama. Conversamos em francês com o dono do hotel, na recepção. Ele se lamentou (je suis desolé): não tinha mais cama. Subimos no quarto e descobrimos que as camas eram enormes. Dado o adiantado da hora, resolvemos nos virar assim mesmo, juntando as camas. E conversamos sobre isso em português. Então ele ficou feliz e nos respondeu em protuguês:
-Falam português! Não precisamos falar em francês. De onde são?
- Brasil, e você?
- Portugal. Vocês vão querer pequeno almoço?
Nos entreolhamos: "que raios é pequenos almoço". E a Carol: "Petit Dejeneur". E eu:
- Ah, você se refere ao café da manhã!
- Café da manhã? Que diferente! O pequeno almoço é servido das 7 às 10 da manhã.
- Tá bom, obrigada.
No dia seguinte, pegamos um ônibus para o centro e ao solicitar informações, descobrimos que a senhora parada do ponto também falava português. Andamos pela parte central de Luxemburgo, que não é muito grande é dá para percorrer a pé. Ela parece uma paisagem de contos de fadas, con castelos, uma ponte antiga de pedra e um muro que circundava o feudo que existia ali no século XIII.
Fomos ao Museu de História e Arte de Luxemborgo, de história antiga, arqueologia e arte, (http://www.mnha.public.lu/). O museu é muito bacana e vimos moedas do império romano com o rosto dos césares ("A césar o que é de césar!"), estátuas de culto das divindades celtas, como Epona e Téltatis, pertencentes aos gauleses que viviam por lá, reproduções de casas da idade da pedra. Em cima, havia um andar de belas artes, com pinturas de Cézane e Monet, e eu, que adoro pintura e não consigo ficar quieta, ia comentando os quadros com a vovó e a Carol. 'Você sabia que um dos objetivos de Cézane era conseguir representar a profundidade apenas pelos contraste de cores em primeiro plano, sem usar a perspectiva de da Vinci?"
Saímos de lá, visitamos uma igreja - a vovó queria rezar em uma igreja em cada cidade que passássemos, para pedir pela saúde de todos - e foi quando descobri que os vitrais contavam, na verdade, a história dos senhores feudais e reis que viveram por ali, com informações como "Nessa igreja casou-se fulano de tal, ano MDCXII", e a gravura representava o casamento.
Depois fomos fazer compras e passear pelas ruas. Resolvemos deixar para almoçar depois, tínhamos tomado um bom café da manhã no hotel. Luxemburgo é cheia de lojas de grife caríssimas (uma bolsa Luis Vuiton por mil euros, por exemplo), dá pra ver que as pessoas lá têm muito dinheiro. Mas achamos uma loja de departamentos com roupas de excelente qualidade em promoção de fim de inverno (comprei uma saia linda por 5 euros!) e esquecemos de vez o almoço. Às cinco e meia, resolvemos almoçar e saímos procurando um restaurante, olahmos alguns, e quando resolvemos parar, o rapaz nos explicou que fecharia. Fomos a outros, e aconteceu a mesma coisa. Às seis e dez, não tinha mais nada aberto!!!!!!! Achamos apenas um café, que fechava às seis e meia e a funcionária, compadecida da nossa situação, nos deu 15 minutos para comer o último croissant e os dois últimos brioches que ela tinha no balcão. Perguntamos porque tudo fechava tão cedo e ela explicou que a maioria dos funcionários, incluindo ela própria, não morava em Luxemburgo, mas em Bruxelas. Você consegue imaginar um país onde a maioria dos trabalhadores da capital mora EM OUTRO PAÍS????? Ela também disse, em português, que muitos que moravam em Luxemburgo eram imigrantes portugueses. Ou seja, para lá você pode ir tranqüilo, sem saber um segundo idioma. Não demora e você consegue um quarto, comida e informação. Só jantamos mesmo, e muito bem, às dez da noite, no restaurante chinês ao lado do hotel. Em muitos lugares da Europa, há chineses imigrantes que abriram um restaurante. Você pode confiar: a comida é boa, não é cara, e eles trabalham de verdade...

2 comentários:

Mano Guardanapo disse...

Chines tem em tudo que é lugar mesmo...

Pra quem gosta de comida chinesa, não passa fome em lugar nenhum

Mano Guardanapo disse...

Luxemburgo é uma Cidade Linda...

Tenho vontade de conhese-la